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CAPTULO 1 
SOM DA FALA E FONEMA 
Os sons da fala resultam das modificaes que a corrente de ar expirado sofre durante o seu trajeto pelo aparelho fonador. 
APARELHO FONADOR  o conjunto de rgos adaptados ao ato da 
fala. Compe-se das seguintes partes: pulmes, brnquios, traquia, 
laringe, aringe, boca e fossas nasais. 
Destas, as mais importantes so a laringe e a boca. 
Na parte superior da laringe existem dois pares de pequenos msculos chamados vulgarmente cordas vocais, separados por uma depresso conhecida como ventrculo de 
Morgagni. O papel principal, se no exclusivo, na produo da voz, cabe ao par de cordas inferior, cordas verdadeiras. Estas, que se opem  maneira de lbios, deixam 
entre si uma estreita fenda, a glote, capaz de se fechar por contrao dos msculos insertos nas cartilagens moles da laringe. 
Na boca so de notar: a lngua, os dentes, os lbios e o palato, compreendendo este duas pores: o palato duro (cu da boca) e o palato 
mole (vu do paladar). 
O vu do paladar, levantando-se, intercepta a passagem do ar pelas fossas nasais. 
Expulso dos pulmes em conseqncia da presso do diafragma e 
dos msculos da caixa torcica, o ar atravessa os brnquios e sobe 
pela traquia para alcanar a laringe. 
Ao chegar  parte superior da laringe, tem necessariamente de transpor a glote. Pode dar-se, ento, um de dois casos: ou a glote est fechada, e o ar, forando-lhe 
a passagem, pe as cordas vocais em vibrao; ou est aberta, e, passando o ar sem dificuldade, no vibram as cordas vocais. 
Na primeira hiptese, o som produzido ser sonoro; na segunda, 
surdo. 
12 


Vencida a glote, encaminha-se o ar para os ressonadores supralarngeos (faringe, boca e fossas nasais), onde vai ser reforado e ganhar 
individualidade. 
Qualquer leve movimento dos rgos que compem o aparelho fonador determina uma especial modalidade de  SOM DA FALA. 
A gramtica, entretanto, s interessa classificar aqueles sons da fala que concorrem para distinguir uma palavra de outra; de tal sorte que eles no podem substituir-se 
mutuamente sem alterar o sentido das palavras onde figuram. 
Exemplos: 
faro bola capa mal 
fero cola casa mar 
firo moia cala mas 
A tais sons diferenciadores chama-se - FONEMAS. 
Nem todos os sons da fala tm valor assim distintivo. Tomemos para exemplo o nome do nosso pas, cuja consoante final soa muito diferentemente, quando a ouvimos 
pronunciada por um gacho, ou proferida por um carioca. Fato idntico, entre vrios outros, encontramo-lo na pronncia da consoante de tua e tia, a segunda das quais 
se articula aproximadamente como /tch/ - trao caracterstico da fala carioca. 
Sem embargo dessa diversidade de sons do /1/ final e do /t/ seguido de li! ou de outra vogal, ningum deixaria de identificar uma e outra daquelas palavras (Brasil 
e tia), uma vez que no mudou a significao com que elas so conhecidas. 
Temos, a, portanto, em cada caso, dois sons da fala - porm um 
s fonema. 
"Es, pues, base esencial para la diferenciacln entre sonidos y fonemas" (ensina Toms Navarro) "el efecto que los cambios fonticos ejercen sobre ei valor semntico 
de las palabras. Las modificaciones de articulacin y sonoridad que la n, por ejemplo, experimenta en confuso, encima, y cinco, son sonidos de un mismo fonema."* 
A disciplina que estuda os sons da fala, em sua natureza fsica e 
fisiolgica, denomina-se - FONTICA. 
* Toms Navarro, Esudios de fonologia espalola, Nova York, Syracuse University, 1946, pp. 8-9. 
13 
A parte da gramtica que estuda os fonemas, isto , aqueles conjuntos de traos fnicos com que numa lngua se distinguem vocbulos pe a 
de significao diferente, chama-se - FONOLOGIA (ou FONMICA). p 
Estes dois ramos da cincia lingstica no se opem: antes se co- a o 
ordenam e completam. Porque somente com apoio numa boa descrio 
fontica  possvel depreender-se, com segurana, o quadro dos fonemas de uma lngua. para 

CLASSIFICAO DOS FONEMAS 
 Os  fonemas se classificam em vogais, consoantes e semivogais.

1. VOGAIS  
 
As vogais so fonemas sonoros, que se produzem pelo livre escapamento
do ar pela boca e se distinguem entre si por seu timbre caracterstico. 
A corrente de ar sonorizada que sai da laringe encontra, na faringe, 
nas fossas nasais e na boca, uma caixa de ressonncia de dimenses 
e forma variveis para cada vogal. Esta caixa de ressonncia pode 
alargar-se ou estreitar-se em virtude dos movimentos dos rgos que 
a constituem, mas sempre a cavidade bucal estar suficientemente aberta 
para que a corrente de ar passe por ela sem encontrar empecilho. 
Classificam-se as vogais de acordo com quatro critrios conjugados: 
a) Quanto  zona de articulao: 
anteriores, posteriores, mdia 
b Quanto ao timbre: 
abertas, fechadas 
c) Quanto  ressonncia nas cavidades bucal ou nasal: 
orais, nasais 
d) Quanto  intensidade: 
tnicas, tonos. deu 
que 
a) Quando pronunciamos a vogal Ia!, a boca alcana a sua maior (Ou 
abertura; o vu do paladar se levanta, impedindo a passagem do ar 
14 
pelas fossas nasais; e a lngua se mantm em posio relativamente plana, muito prxima  posio em que fica quando respiramos com a boca aberta e sem falar. 
Se, partindo do la!, pronunciarmos a srie /!, l!, /i!, observaremos que a parte anterior da lngua se arqueia e avana gradativamente para a regio pr-palatal, 
ao mesmo tempo que as comissuras labiais se contraem. Por isso, estas vogais se denominam anteriores ou palatais. 
Se, partindo do la!, pronunciarmos a srie l!, ll, !ul, observaremos que a parte posterior da lngua vai recuando em busca do vu do paladar, ao mesmo tempo que 
os 1bios se arredondam e projetam para diante. Estas vogais se chamam posteriores ou velares. 
O la!, ponto de referncia de ambas as sries, recebe o nome de vogal mdia ou central. 
b) Dentro de cada srie, as vogais podem ser abertas, ou fechadas. 
O grau de abertura (que as distingue pelo timbre) depende da distncia entre a lngua e o cu da boca: esta distncia  mixima para o la!, 
a mais aberta das vogais; e mnima para o li! e o lu!, as mais fechadas. 
O lei e o lo! so abertos quando se articulam mais perto do la!, e se vo tornando fechados  medida que se aproximam das respectivas vogais extremas li! e lu!.* 
O seguinte esquema, conhecido como TRINGULO DAS VOGAIS, nos mostra as duas escalas voclicas:** 
(extrema) i u (extrema) 
* 11 est  noter que la notion de fermeture et d'ouverture sert  diffrencier les deux timbres que prsentent certames voyelles" (Pierre Fouch, Phontique historique 
du franais - Introduction, Paris, 1952, p. 22). 
** Posto que no conste na Nomenclatura Gramatical Brasileira, o termo extrema (ou qualquer outro)  indispensvel - por uma questo de clareza e mtodo descritivo 
- para caracterizar o maior grau de fechamento das vogais li! e fui, que assim se diferenam, nas escalas respectivas, do l! e do l/, que so tambm fechados. 
a 
MDIA 
15 
c) Estas sete vogais so orais porque se produzem com o vu do a) ( 
paladar levantado, de modo que o ar escoa todo pela boca. Ocorrendo ( 
o abaixamento do vu do paladar, divide-se a coluna de ar entre a boca b) ( 
e as fossas nasais, produzindo-se uma ressonncia nasal. 1 
Estas vogais chamam-se, ento, nasais: 1 
c ( 
l!, l!, Ii!, ll, l!. 
As vogais nasais so representadas na escrita pelas cinco letras (a, d) ( 
e, i o, u), seguidas de m ou n; em sfiaha final, o a nasal grafa-se com 
til (avel, irm, cidad). a e 
ohstc 
d) Em slaba tnica, distinguem-se nitidamente sete vogais orais: 
la!, ll, l!, li!, l!, !!, !u/. Oclusi 
Em slaba tona, anula-se a distino, como fonemas, entre !l e O q 
l! e entre l! e /l, em favor das de timbre fechado - da resultando boca - 
a reduo a um quadro de cinco vogais: vinda 
rapido 
la!, /!, li!, !/, lul. lentair 
Quando em slaba tona final, este quadro tende a simplificar-se explos 
ainda mais, limitando-se a trs vogais: Seg 
podeir 
la!, li! lul. 
Observe-se que dizemos reza (com e tnico aberto) e pobre (com respec 
o tnico aberto), porm rezar e pobreza (respectivamente com e e o 2) L 
fechados, por terem passado para a posio de vogais tonas). d!, n/. 
Observe-se tambm a pronncia de palavras como verme e lado, 3) r 
que realmente soam [vrmi] e [ldu], por estarem em posio final banho 
as vogais tonas respectivas.  

2. CONSOANTES 
As consoantes so fonemas resultantes de um fechamento momentneo   ou de um estreitamento do canal bucal, que, em qualquer de seus pontos, oferea obstculo  sada 
da corrente de ar - sonorizada ou no ( pela vibrao das cordas vocais, rudo). 
Classificam-se as consoantes de acordo com quatro critrios conjugados: 
16 
a) Quanto ao tipo de obstculo oposto  corrente de ar: 
oclusivas, fricativas, laterais e vibrantes, 
b) Quanto  zona de articulao: 
bilabiais, labiodentais, linguodentais, alveolares, palatais e velares. 
c) Quanto  ao das cordas vocais: 
surdas e sonoras. 
d) Quanto  ressonncia nas cavidades bucal ou nasal: 
orais e nasais. 
a e b) Vejamos, em conjunto, os dois primeiros critrios (tipo de 
obstculo e zona de articulao): 
Oclusivas 
O que as caracteriza  a aproximao completa de dois rgos da boca - o que determina a interrupo momentnea da corrente de ar vinda dos pulmes; ao cessar esse 
obstculo em virtude do afastamento rpido de tais rgos, o ar acumulado atrs deles sai repentina e violentamente, ocasionando um rudo seco, comparvel a uma 
pequena exploso. 
Segundo a regio que oferece obstculo, as consoantes oclusivas 
podem ser: 
1) BILABIAIS (lbio contra lbio): /p/, 1h!, Imi, em vocbulos como, respectivamente - pala, bala, inala. 
2) LINGUODENTAIS (ponta da lngua e arcada dentria superior): ti, d/, n/, em vocbulos como, respectivamente - to, do, no. 
3) PALATAIS (dorso da lngua e palato): Inhi, em vocbulos como banho, pinho. 
4) VELARES (raiz da lngua e vu do paladar): 1k!, !g/, em vocbulos como, respectivamente, cola, gola. 
Fricativas 
Resultam da aproximao incompleta de dois rgos da boca - o que obriga a corrente de ar a comprimir-se a fim de passar pela fenda estreitada que assim se forma; 
ento, o ar escoa ininterruptamente, roando-se de encontro s paredes desses rgos, o que produz um rudo comparvel a uma frico. 
Conforme a regio onde se d esse contato parcial, as consoantes 
fricativas podem ser: 
17 
1) LABIODENTAIS (lbio inferior e arcada dentria superior): Ifi, 1v!, em vocbulos como, respectivamente fala, vala. 
2) ALVEOLARES (ponta da lngua e alvolos, isto , zona onde os dentes se encravam na gengiva): Is!, !z!, em vocbulos como, respectivamente - sela, zela. 
3) PALATAIS (dorso da lngua e palato): Ix/, /j/, em vocbulos como, respectivamente - x, f. 
Laterais 
Assim se chamam porque, no obstante haver obstruo da corrente 
de ar em determinada regio da boca, ele vai, ao mesmo tempo, escoando livremente pelos lados do canal bucal. 
Segundo o local onde ocorre essa obstruo, as consoantes laterais 
podem ser: 
1) ALVEOLARES (ponta da lngua e alvolos): /1/, em vocbulos como 
lapa, lua. 
2) PALATAIS (dorso da lngua e palato): /1h!, em vocbulos como 
- irnilha, ilha. 
Observao: 
Em extensas faixas do Brasil, e especialmente no Rio de Janeiro, a consoante /1/, 
quando em final de sflaba, apresenta uma pronncia re1axada', que a aproxima do 
som da sernivogal Iw/. 
Este fato faz que desapaream oposies como as de mal e mau, alto e auto, servil 
e serviu - oposies que a lfngua culta procura cuidadosamente observar. 
Vibrantes 
Acarretam vibraes da lngua (da o seu nome), decorrentes do contato intermitente dela com uma zona da boca. 
So apenas duas: o /r! e o /rr!. 
Na produo do /r!, h uma vibrao simples e frouxa da lngua, 
cuja ponta toca levemente nos alvolos; na do /rr/, so mltiplas e mais 
intensas essas vibraes, junto ao vu palatino. 
O primeiro, ALVEOLAR, aparece em posio intervoclica (era, caro, fero); o segundo, VELAR,  o que figura nas demais posies (reza, sorte, guelra, mar) e, vindo 
entre vogais, se escreve com a letra 'r' dobrada (carro, ferro). 
c e d) Apreciemos, agora, os dois outros critrios (ao das cordas 
vocais e ressonncia): 
18 
1 
Surdas e sonoras 
Examinemos as consoantes /p/ e /h!. Possuem elas, como vimos, dois caracteres comuns: ambas so oclusivas e bilabiais. Todavia, so fonemas diferentes, capazes de 
distinguir palavras como, por exemplo 
- pato e bato. 
O mesmo acontece, outrossim, com 1k! e /g! - ambas oclusivas e velares, porm fonemas distintos, segundo se reconhece por diferenarem palavras como, por exemplo 
- cato e gato. 
A razo  porque a primeira de cada par se produz sem vibraes 
das cordas vocais (consoantes surdas); ao passo que a segunda vem 
acompanhada de vibraes das cordas vocais (consoantes sonoras). 
Nasais 
Estendamos a observao a estas trs consoantes: 
/p/, /h/, /m/. 
J sabemos que o /p/ e o /h/ apresentam dois caracteres comuns 
(ambos so oclusivos e hilabiais) e se distinguem por ser surdo um, 
e sonoro outro. 
Porm o /h/ e o /m/ renem no apenas dois, mas trs traos comuns: so igualmente oclusivos, hilabiais e sonoros. 
Que os distinguir, ento? 
A diferena entre eles decorre de que o /m!, alm de oclusivo, bilabial e sonoro, , ainda, NASAL, isto , em sua produo, a corrente 
de ar ressoa, em parte, na cavidade nasal. 
H, em portugus, trs consoantes nasais /m!, !n!, !nh/. 
QUADRO GERAL DAS CONSOANTES 
 vista do exposto, podemos organizar o seguinte quadro geral aa 
classificao das consoantes: 
19 
1.OCLUSIVAS 2. FRICATIVAS 
a) Bilabiais: a) Labiodentais: 
surda: /pI surda: If! 
sonora: /h! sonora: lvi 
nasal: 1mI 
b) Linguodentais: b) Alveolares: 
surda: /t/ surda: Is! 
sonora: /dI sonora: IzI 
nasal: ml 
c,) Palatal: c) Palatais. 
nasal: InhI surda: lxi 
sonora: Ijl 
d) Velares. 
surda: 1k! 
sonora: /gI 
Observaes: 
1. As consoantes laterais, as vibrantes e as nasais so - sonoras. 
2. Quanto ao carter oclusivo das consoantes nasais mil, /nJ e /nh/, leiam-se Gramrnont, Trait de phonti que, 3' ed., Paris, Delagrave, 1946, pp. 94-5; Saussure, 
C'ours de iinguistique gnrale, edio crftica preparada por Tuilio de Mauro, Paris, Payot, 1972, p. 72; Samuel Gili Gaya, Elementos de fontica general, Madri, 
Gredos, 1950, pp. 11 1-22. 
REPRISENTAO GRFICA DAS CONSOANTES 
Em maioria, cada uma das consoantes de nossa lngua  representada, na escrita, somente por uma das letras do alfabeto, ou combinao de letras (nh; 1h); algumas, 
porm, podem ser representadas por mais de um smbolo grfico, conforme o vocbulo em que aparecem: 
20 

3. LATERAIS: 

4. VIBRANTES 

a.) 
Alveolar: 
li! 
a) 
Alveolar (fraca): Ir! 
b) 
Palatal: 11h! 
b,) 
Velar (forte): 
!rr/ 

FONEMAS LETRAS 
3. SEMIVOGAIS 
So os fonemas i e u, quando, ao lado de uma vogal, formam slaba 
com ela. 
Nas palavras, por exemplo: vi-da e lu-ta, tais fonemas figuram, nas respectivas slabas, com afun7o de vogal, tanto  certo que recebem o acento sihhico; porm, 
nas palavras, por exemplo, pai e mau, esse acento recai no a (que , ento, a vogal dessas slabas), funcionando, portanto, o i e o u com o valor de qualquer das 
outras consoantes. 
Em razo de seu carter hbrido, o 1 e o u, em casos assim, recebem 
a denominao de semivogais. 
21 

1. A oclusiva velar surda 1k! 
c (antes de a, o, u): casa, cola, acuso  qu (antes de e, 1): quero, aqui  q (antes de u semivogal): quase 
2. A oclusiva velar sonora Ig! 
g (antes de a, o, u): gato, agura, gume  gu (antes de e, 1): guerra, guia  g (antes de u semivogal): sagi 
3. A fricativa alveolar surda Is! 
s: sala, sino, valsa  ss (entre vogais): nosso, missal  c (antes de e e i): cu, cego, macio   (antes de a, o, u): poa, mao, heiudo  x: mximo, sintaxe, prximo 
4. A fricativa alveolar sonora IzI 
z: zagal, zebra, azar, vizinho s: asa, casebre, vasilha, usual x: exame, exemplo, exmio 
5. A fricativa palatal surda IxI 
x: xarope, peixe, lixo ch: chave, flecha, piche 
6. A fricativa palatal sonora !j! 
j. j, jeito, hoje, jil g (antes de e, i): gente, gria 
7. A vibrante velar sonora (forte) 
r: rosto, cora, genro, falar rr (entre vogais): erro, terra 


SLABA E SUA ESTRUTURA 
Escolhamos o vocbulo - estrela. 
S o podemos pronunciar dividindo-o em trs partes: es-tre-la. 
Cada uma destas partes, que d ao nosso ouvido a impresso de unidade de som,  proferida de uma vez, num s impulso de expirao. 
Eis as SLABAS do vocbulo. 
Compem a slaba uma vogal isolada, ou o agrupamento de uma 
ou mais consoantes (ou semivogais) com urna vogal. 
Eis os tipos silbicos encontradios em portugus: 
1. a-mor 8. trs 
2. co-sal 9. felds-pa-to 
3. er-mo 10. pai(s) 
4. for-na-da 11. grau(s) 
5. tri-ho 12. guar-da 
6. obs-tar 13. guai-ar 
7. pers-pi-caz 
O tipo mais geral, assim em nossa lngua como no espanhol,  o formado por consoante e vogal: bo-ca, p-ro-la. * 
A vogal , pois, o elemento bsico, o fonema que, numa slaba, se salienta a todos os Outros. Pode a slaba, (como vimos), ser, at, constituda de uma vogal sozinha. 
Por outro lado, numa slaba no pode existir seno uma vogal. 
A razo  porque nela est o acento silbico - donde o chamar- 
se-lhe base, centro, ou pice da slaba. 
Num vocbulo haver, portanto, tantas slabas quantos forem os acentos silbicos - vale dizer, as vogais. 
Os fonemas que soam junto com a vogal na slaba recebem o nome 
genrico de consoantes. 
Assim, numa palavra como - pai, de uma s slaba, h somente 
uma vogal: o a, onde se encontra o acento silbico. O p e o i, que 
soam junto com ela, tm, pois, igualmente, funo consonantal. 
* El movirniento alternativo de consonante y vocal armoniza ei equilibrio fonolgico de los ncleos silbicos." Toins Navarro, ob. cit., p. 46. 
22 


Ordinariamente os vocbulos portugueses possuem de uma a sete slabas. So raros os que tm oito ou mais, e mesmo os de sete j no se encontram com muita freqncia. 
A gramtica consagrou a seguinte nomenclatura: 
a) Monossilabo - para o vocbulo de uma slaba; 
b) Disslabo - para o vocbulo de duas slabas; 
c) Trissilabo - para o vocbulo de trs slabas; 
d) Polisslabo para o vocbulo de mais de trs slabas. 
HIATO 
Quando a uma slaba terminada por vogal-base se seguir outra iniciada tambm por vogalhase,* produz-se um efeito acstico especial. A este fato se denomina hiato, 
o qual necessariamente ocorrer sempre que se encontrarem: 
1) duas vogais iguais: 
graal, reeleger, niilista, cooperar, etc. 
2) a vogal a com , , , , ou estas entre si: 
areo, baeta, aorta, caolho; beato, obo, becio;ferico, coorte (nos dois ltimos exemplos, temos, respectivamente,  +  e  + ). 
3) i e u (tnicos) com outra vogal: 
dia, da, lua, ba, pas, contedo, tio, reno; runa, viva. 
Observao: 
Faxem exceo, nos encontros u/i e i/u, palavras corno gratuito, fortuito, intuito, 
azuis, etc.; e as formas verbais do pretrito perfeito da 3a conjugao: partiu, vestiu, 
feriu, etc. 
Em todas, o elemento acentuado vem em primeiro lugar. 
4) i e u (tonos) com a vogal antecedente (mas apenas nos casos em que este i e este u forem tnicos em vocbulos do mesmo radical): 
traidor (cf. trair 
abaulado (cf. ba). 
* Sendo o hiato o encontro de vogal-base + vogal-base, ele no existe, a rigor, em palavras como goi-a-ba, Mau- - nas quais a seinivogal (de oi e de au) desfaz 
aquela seqncia. 
23 
DITONGO E TRITONGO 
ENCONTROS INSTAVEIS 
DITONGO 
 a unidade fnica, formada de vogal, acompanhada de i ou u em 
funo consonantal. 
Por outras palavras: o encontro de vogal e semivogal, ou vice-versa. 
H ditongos orais, e nasais. Uns e outros classificam-se em crescentes, e decrescentes. 
O ditongo  crescente, se a semivogal soar primeiro que a vogal: 
n (em quatro). E decrescente, em caso contrrio: i (em pai). 
Estes ltimos  que so os verdadeiros ditongos - ditongos estveis. * 
Tambm o so, entre os crescentes, aqueles que tiverem a semivogal u precedida de q, ou de g: 
quase, qualidade, quota, eqestre, obl(qua; igual, gua. 
TRITONGO 
 a unidade fnica formada de vogal ladeada de semivogais: 
quais, averigaei, delinqiu, Paraguai. 
ENCONTROS INSTVEIS 
H encontros instveis, isto , que acusam certa flutuao de pronncia - flutuao condicionada a fatores de ordem regional, ou grupai, e, ainda, ao grau de tenso 
psquica do sujeito falante. 
Esto neste caso: 
* Cf. Saussure, ob. cit., p. 92, e L. Roudet, Elnwnts de phonique gnrale, 2 ed., 2 vois., Paris, 1924, vol.2, p. 109. 
24 
1) Os encontros ia, ie, lo, ua, ue, uo (tonos e finais de vocbulo): 
ausncia, srie, ptio, rdua, tnue, vcuo. 
2) Os encontros de i ou u (tonos) com a vogal seguinte (tnica, ou tona): 
piaga, fiel, prior, inuar, suor; crueldade, violento, persuadir. 
Na fala espontnea do Rio de Janeiro, em condies normais de elocuo, os encontros do primeiro tipo so DITONGOS; e os do segundo, 
HIATOS. 
ENCONTRO CONSONANTAL 
O encontro de consoantes pode dar-se: 
a,) Na mesma slaba. 
b,) Em slabas consecutivas. 
a) Os do primeiro tipo, inseparveis, so habitualmente denominados grupos consonantais, e tm quase sempre como segunda consoante 
- 1, ou r. 
Exemplos: 
bl - bloco, bblia cl clima, tecla ti flores, aflio gi glria, ingls 
br - brisa, abrir cr - cravo, lacrar 
fr - fraco, sofrer gr - grande, negro 
H alguns outros encontros inseparveis - alis, pouco freqentes: 
pn pneuinhtico giz - gnomo 
b/s - absoluto dc - convico c/t aspecto 
d/v - advertir f/t - afta t/m - ritmo 
Estes se chamam encontros consonantais disjuntos. 
b Nos demais - separveis -, cada consoante pertence a uma slaba: 
25 

Notas: 
1) O ch (chave, machado), o 1h (palha, mimarai), O nh (ninho, banheiro), O rr (carro), o ss (passo), e bem assim o qu e o gu (em palavras, como, respectivamente, 
querer e guerra) no so grupos consonarnais, nem encontros disjuntos: so DGRAFOS; isto , reunies de DUAS letras para a transcrio de u fonema. 
2) O m e o n ps-voclicos no formam encontro disjunto com a consoante seguinte, pois no so consoantes e sim meros sinais diacrfticos de nasalizao (valem 
tanto quanto o til): cam-po, son-so. 
3) Certas combinaes podem determinar a formao de grupos consonantais, ou de encontros disjuntos. E o caso, por exemplo, de bi:  grupo em ablativo (a-bla-tivo), 
e encontro disjunto em sublinhar (sub-li-ii)iar). 
4) Na pronncia-padro,  mudo o Is! - embora se escreva - em palavras com sc (piscina, descer), s (cresam, floresam) e xc (exceo, excelente). 
26 
.7 
CAPTULO 2 
TONICIDADE E ATONICIDADE 
: 
rSubstantivos: 
edito (lei) / dito ( 
Adjetivos: 
florido (em flor) 1. 
Acentuao, em sentido geral, o relevo dado a um elemento fontico. 
O estudo especial da acentuao denomina-se - prosdia. 
Resulta o acento da ntima associao de certas qualidades fsicas 
dos sons da fala, tais como: a intensidade (maior ou menor fora expiratria 
com que so proferidos); a altura (maior ou menor freqncia 
com que vibram as cordas vocais); o timbre (ou metal de voz); 
e a quantidade (maior ou menor durao com que so emitidos). 
Em sentido estrito - aquele que nos interessa aqui - entende-se 
por acento a maior fora expiratria com que uma slaba se ope s 
que lhe ficam contguas n corpo dos vocbulos. 
ACENTO DE INTENSIDADE 
Realmente, o acento caracterstico da lngua portuguesa  o de iiitensidade, 
que, regular e fixo, assinala sempre determinada slaba de 
cada vocbulo, funcionando, portanto, como elemento gramatical prprio 
do idioma - capaz, inclusive, de diferenar o valor morfolgico 
e significativo de palavras que tm os mesmos fonemas distribudos 
na mesma seqncia. E o caso, por exemplo, de sries como estas: 
AC 
EAC 
Nas palavras de duas demais, por ser proferic 
Eis a slaba tnica, ei menos fora, so - tc 
De acordo com a pos hulos em oxtonos, parox recaia, respectivamente, 1 ve-ra), ou na antepenlt 
Porm, vocbulos de possuem, quase sempre, secundrios. 
A mais perceptvel d drio (e somente at a c 
Exemplos: 
admirvel + MENte generos(o) + i + i, 
PALA VRAS 
 preciso pr o melh sio de seu acento tn normal dos vocbulos - o comete. 
ira (subst.) 
vera (adj.) 
sbia (adj.) 
/ ir (verbo) 
/ ver (verbo) 
/ sabia (verbo) / sabi (subst.) 
Este contraste fonolgico pode ocorrer dentro da mesma classe de palavras: 
28 
Substantivos: 
edito (lei) / dito (ordem judicial) 
Adjetivos: 
florido (em flor) / flrido (brilhante) 
ACENTO PRINCIPAL 
E ACENTO SECUNDARIO 
Nas palavras de duas ou mais slabas, h uma que se destaca das 
demais, por ser proferida com maior intensidade. 
Eis a slaba tnica, em relao  qual as outras, pronunciadas com 
menos fora, so - tonas. 
De acordo com a posio da slaba tnica, classificam-se os vocbulos em oxitonos, paroxtonos, ou proparoxftonos - conforme o acento recaia, respectivamente, na 
ltima (a-ma-nhe-cer), na penltima (pri-mave-ra), ou na antepenltima (l-ci-do) slaba. 
Porm, vocbulos de mais de trs slabas, sobretudo os derivados, 
possuem, quase sempre, alm do acento principal, um ou mais acentos 
secundrios. 
A mais perceptvel das slabas entre as que trazem acento secundrio (e somente at a costuma ir a anlise) - denomina-se subtnica. 
Exemplos: 
admirvel + MENte = admiravelMENte (slaba tnica: 
-MEN; subtnica: -ra) 
generos(o) + i + DAde generosiDAde (slaba tnica: 
-DA; subtnica: -ro) 
PALAVRAS DE ACENTUAO VICIOSA 
 preciso pr o melhor empenho em no deslocar s palavras a posio de seu acento tnico. O erro prosdico deforma a configurao normal dos vocbulos - o que faz 
cair pesada sano social sobre quem o comete. 
29 

Recomenda-se particular cuidado na pronncia das seguintes palavras: 
a) So oxtonas: 
cateter novel sutil 
condor recm ureter 
Gibraltar refm xerox 
Nobel ruim 
b) so parox(tonas: 
alanos filantropo orqudea 
avaro grcil pegada 
avito gratuito (i) periferia 
aziago hosana perito 
barbaria Hungria pletora 
batavo ibero policromo 
cartomancia inaudito pudico 
ciclope maquinaria quchua 
decano matula quiromancia 
diatribe misantropo refrega 
estratgia mercancia rubrica 
efebo nenfar sinonmia 
erudito Normandia tctil 
estalido onagro txtil 
estrupido nix ubquo 
xul opirno 
c) so proparoxtonas: 
dvena bvaro invlucro 
aerdromo bmano leuccito 
gape blido (-e) lvedo 
lacre brrnane Nigara 
lcali Crbero mega* 
alcfone cotildone priplo 
alcolatra crismtemo pliade 
amlgama gide prfugo 
andrgino etope prottipo 
anmona xodo quadrmano 
anti fona fagcito rvrbero 
anti frase frula strapa 
antstrofe grrulo Tmisa 
arepago hgira trnsfuga 
arete idlatra zfiro 
arqutipo fmprobo znite 
azfama fnclito 
btega nterim 
* mega. A ltima letra do alfabeto grego, e, figuradamente - o fim, o trmino. Como propriedade comercial (marca de um relgio) pronuncia-se omega (paroxtona). 
30 
Para alguns vocbulos h, mesmo na lngua culta, certa flutuao de pronncia: 
anidrido ou andrido projetil ou projtil 
bomia (subs.) ou boemia reptil ou rptil 
hieroglifo ou hierglifo soror ou sror 
Oceania ou Ocdnia zango ou zngo 
ortoepia ou ortopia 
Entre mdicos, corre a pronncia catter (paroxtono). 
IDIA DE GRUPO ACENTUAL 
Se lermos, pausadamente, os seguintes versos de Olavo Bilac: 
"Rosas te brotan2o da boca, se cantares!" 
"E vendo-te a sangrar das urzes atravs," -, 
a leitura se far pela decomposio da fala em pequenas unidades, cada 
uma das quais tem por centro um s acento tnico principal: 
!ROsas/ /e VENdO-te! 
/te brotaRo! /a sanGRAR! 
/da Boca/ Idas URZeS! 
!se canTAres/ !atravs/. 
D-se o nome de grupo acentual ao segmento da fala constitudo 
de um ou mais vocbulos subordinados a um acento nico. 
VOCBULOS SEM ACENTO 
Vemos, ento, que alguns vocbulos se proferem to fracamente 
na frase, que tm de apoiar-se no acento tnico de outro vizinho, como 
se fossem uma slaba a ele agregada: 
Ite BROTARO!; le VENDO-te!, etc. 
Tais vocbulos, chamados tonos, so, em regra, monossflahos. 
H, todavia, um que outro disslabo tono, como a preposio para, 
as conjunes como e porque, e a partcula pelo (pela, pelos, pelas). 
31 
MONOSSLABOS TNICOS Facilmente se deli 
bulos que o integran 
IAs PERnas!deS 
Por outro lado, monosslabos existem que so tnicos, isto e, tem para a CHcari 
independencia fontica - o que vale dizer que podem figurar sozinhos - 
num grupo acentual, e, at, trazer um ou mais vocbulos tonos sob Menos simples sa 
o seu acento: principal, aparece oi. 
chega, todavia, a se 
/FIz!; Ia DOR!; /por MES!; /que lhe DEI!, etc. 
Tal fato acontece 
possessivos e os pro 
dos em posio ante 
PRCLISE E NCLISE Compare-se, por 
profere o possessivo 
soai em - eu FAO 
Quando um vocbulo tono se ampara ao seguinte (se CANTARES), Cotejando as fras 
diz-se que est em prclise; incorporando-se ao anterior (vENDo-te), 
diz-se que h nclise, /0 rapaz/no' 
/0 rapaz/vem 
Os pronomes pessoais me, te, se, lhe, o, a, nos, vos, lhes, os, as, 
ora aparecem em prclise, ora em nclise, relativamente ao verbo: sentimos a tonicidad 
acentual; e, paraleil 
!para lhe DIzER!; !para DIZER-lhe!, grupo acentual o q 
O artigo definido (o, a, os, as), o indefinido (um, uns), os pronomes 
relativos (que, quem), as preposies e conjunes monossilbicas 
figuram somente em prclise: 
/o MESTRE!; !um soNHo!; Ique OSTENTA!; Ide SOMBRA!; TONICIDA] !e a VIDA!. 
Vocbulos norma 
no  raro que voc 
CONSTITUIO DOS GRUPOS ACENTUAIS nicidade - tudo 
Considervel quantidade de grupos acentuais consta de um s vo- Exemplos: 
cbulo (substantivo, adjetivo, verbo, advrbio, ou pronome tnico); a) Que diSSESte 
porm so ainda mais freqentes as unidades dessa espcie em que Apague/o QU 
se renem dois ou mais vocbulos. A combinao que se repete maior - 
nmero de vezes  a de artigo + substantivo, ou preposio + subs- b) Para v0CES. 
A palavra/PAi 
32 
Facilmente se delimita um grupo acentual, quando entre os vocbulos que o integram apenas um tem acento prosdico. 
IAs PERnas/desCEram-me/os deGRAus/ que DAvam/ 
para a CHcara.! 
Menos simples so os casos em que, ao lado do vocbulo tnico 
principal, aparece outro elemento que, sem ter acentuao plena, no 
chega, todavia, a ser de todo inacentuado. 
Tal fato acontece sobretudo com os verbos auxiliares, os pronomes 
possessivos e os pronomes pessoais retos - os quais, quando colocados em posio antetnica, ficam sobremaneira enfraquecidos. 
Compare-se, por exemplo, a diferena de intensidade com que se 
profere o possessivo em - nosso PAI e pai Nosso; ou o pronome pessoal em - eu FAO e fao EU! 
Cotejando as frases: 
/0 rapaz/no VEM! 
/0 rapaz/vem CHEGANDO! 
sentimos a tonicidade do primeiro 'vem', ponto de apoio do seu grupo acentual; e, paralelamente, a quase atonicidade do segundo, em cujo grupo acentual o que sobreleva 
 o acento de 'chegando'. 
TONICIDADE E ATONICIDADE ACIDENTAIS 
Vocbulos normalmente tonos podem tornar-se tnicos, assim como no  raro que vocbulos tnicos se debilitem em vrios graus de atonicidade - tudo conforme a situao 
de uns e outros nos grupos acentuais. 
Exemplos: 
a) Que dissEste? (que: tono) 
Apague/o QU. (qu: tnico) 
b) Para vOCS. (para: tono) 
A palavra/PARA. (para: tnico) 
33 
c) As Prolas. (as: tono) 
Analise los AS. (as: tnico) 
d) Um filho/BOM. (bom: tnico) 
Bom aMIgo! (bom: tono) 
CONSEQUNCIAS DA PRCLISE 
A prclise pode determinar, s vezes, reduo do corpo de vocbulos de duas slabas, que passam, ento, a monosslabos. 
 o que acontece, por exemplo, com a preposio para, comumente 
pronunciada /pra/ - e assim grafada pelos escritores que procuram 
fotografar a linguagem oral: 
"(...) v buscar a Noite pra escurecer o dia e fazer sombra 
na terra, e eu me casarei com voc." (CASSIANO RICARDO) 
Corre, igualmente, por conta da prclise a pronncia monossilbica, encontradia em todas as fases da lngua, dos possessivos femininos (tua, tuas, sua, suas) e 
do numeral duas - possibilidade de que muito se valem os poetas. 
Eis um exemplo antigo, e outro moderno, de tu-a condensado numa 
slaba s: 
"Mas porque te no movem tantos choros 
Da minha tua me? os tantos rogos 
dei-rei teu pai?' '* (ANTNIo FERREIRA) 
"Tua cintura em meu brao, 
Meu beijo em tua boca em flor..." 
Neste exemplo, de Vicente de Carvalho, documentam-se, em versos consecutivos, as duas pronncias que podem oferecer palavras do 
tipo de tua. No primeiro verso, h de ler-se lt-al; no segundo, /tw/. 
* Exemplo recolhido por Sousa da Silveira, Fontica sinttica, Rio de Janeiro, Simes, 1952, p. 99. Nessa obra-prima da filologia brasileira, l-se exaustivo estudo 
das conseqncias da prclise. 
34 
CAPTULO 3 
PRONNCIA NORMAL DO BRASIL* 
Com apoio em normas aprovadas pelo Primeiro Congresso Brasileiro de Lngua Falada no Teatro, realizado em 1956, na cidade do Salvador, o qual ratificou, em suas 
grandes linhas, as concluses do Primeiro Congresso da Lngua Nacional Cantada, reunido em 1937, em So Paulo. 
1 
2. VOG 
Obs a)Q 
VOGAIS as 
cana, b 
nho; ai 
VOGAIS TONICAS 
c) Q 
So sete as vogais tnicas orais e cinco as nasais. termim 
tnica 1 
1. VOGAIS TNICAS ORAJS mos, c 
la! - j, gs, paz, lar, fato, plido; 
l/ - p, fel, atravs, reto, imerso; VOGA 
l! - cr, ms, ver, portugus, xtase; 
/1/ - vi, quis, vil, parti, livro, cobrir; So l! - s, ns, voz, anzol, pobre, timo; 
ll - ps, av, flor, horto, algoz, sfrego; 1 Vo !ul - tu, nus, luz, sul, abutre, flgido. 
Observao: 
Apresentam lei (aberto) as seguintes palavras, entre outras: 
acerbo, acervo, anelo, badejo, cerva, coevo, diserto ( eloqente), doesto, elmo, flagelo, indefeso (= incansvel), obeso, obsoleto, palimpsesto, refrega, Tejo, terso. 
Apresentam lei (fechado) as seguintes palavras, entre outras: 
adrede (adv.), alameda, Aulete, canhestro, capelo, cerda, cerebelo, destra (a 2 Vo mo direita), enxerga, esmero, faceto,ferrete (azul-), ileso, interesse, labareda, 
Roquete, vereda, vespa. 
Apresentam lo! (aberto) as seguintes palavras, entre outras: 
coldre, envolta (nas locues de envolva e de envolta com), hissope, imoto, 
nioL1zo (= feixe), ocre, piloro, probo, remoto, senhora, suor, tropo. 
Apresentam lo! (fechado) as seguintes palavras, entre outras: 
algoz, algozes, chofre (na locuo de chofre), cdea, coche, cora, despojo, 
molosso, odre, serdio, torpe. 
36 
2. VOGAIS TMCAS NASAIS 
// - l, vs, alde, campo, pndega; 
!! - tempo, lento, pndulo; 
/i/ - fim, limpo, tinta, sndico; 
// - bom, tombo, onda, almndega; 
/1i/ - rum, wmha, profundo. 
Observe-se: 
a) Que so fechadas as vogais nasais. 
b) Que tambm so fechadas, e nasalizadas (em graus diferentes), as vogais que antecederem as consoantes nasais !m/, !n/ e InhI (cama, cana, banho; lema, cena, lenha; 
lima, fina, linha; soma, sono, medonho; aprumo, nica, unha). 
c) Que, de acordo com a observao anterior, as formas verbais terminadas em -amos, do pretrito perfeito do indicativo, tm a vogal tnica fechada, no se distinguindo 
das do presente do indicativo: amamos, cantamos. 
VOGAiS TONAS 
So cinco as vogais tonas orais e cinco as nasais. 
1. VOGAIS TONAS ORAIS 
la! - mas, para, rosa, padeiro; 
l! - rezar, redondo, selado, carter; 
li! - vital, cidado, jri, pobre; 
- rodar, provado, colega, flor; 
lu! - lucidez, culpado, esptula, tribo. 
2. VOGAIS TONAS NASAIS 
l! - campal, amparar, antigo, cantor; 
l! - temporal, sentar, apendicite; 
/17 - pintor, sintoma, invaso; 
l! - combate, tombar, vontade, convite; 
/ts/ - cumprir, fundao, suntuoso, untar. 
/ " 
37 
Observe-se: 
a) Que a simples passagem da posio tnica para a tona determina, mecanicamente, o fechamento das vogais  e ; assim, por exem 
Os vocbulos derivados em que haja prefixos com acento prprio, os quais contenham essas vogais: 
pr-histria, ps-graduado 
- Os vocbulos derivados com os sufixos mente, ou (z)inho, (z)ito: 
leve () - levemente () 
caf () - cafezinho () 
mole () - molemente () 
s () - sozinho () 
b) Que so tonos orais finais somente IA,', lI! (grafado e) e iui (grafado o), assim nos monosslabos tonos ou combinaes destes, como 
nos anoxftonos de duas ou mais sflahas: 
plo: 
o 
m 
ne 
reta () - retngulo () 
leve () - leveza () 
reza () - rezar () 
encfalo () - encefalite () 
roda () - rodar () 
pobre () - pobreza () 
slido () - solidez () 
voto () - votao () 
re 
en 
tal 
ni 
Excetuam-se apenas: 
dc 
n 
ur 
T 
me (pronncia mi) 
te (pronncia ti) 
se (pronncia si) 
lhe (pronncia lhi) 
lhes (pronncia lhis) 
nos (pronncia nus) 
vos (pronncia vus) 
e (pronncia i) 
de (pronncia di) 
que (pronncia qui) 
o (pronncia u) 
os (pronncia us) 
tos (pronncia tus) 
lhas (pronncia lhs) 
dedo (pronncia ddu) 
calado (pronncia caldu) 
38 
c) Que no se distinguem na pronncia o a artigo, o a preposio, o a pronome e o  resultante de crase (seguidos ou no de Is! o primeiro e os dois ltimos) - salvo, 
muito excepcionalmente, se houver necessidade imperativa para a inteligncia da frase, caso em que o  resultante de crase poder ser pronunciado com certa tonicidade 
ou nfase. 
d) Que, quando empregado com valor interjectivo, ou como substantivo, ou em fim de frase no reticente, o vocbulo que se torna tnico e passa a pronunciar-se e 
grafar-se [qu]. 
e) Que a preposio por, dada a sua condio de vocbulo tono, deve ser pronunciada - salvo razo excepcional de nfase - [purj. 
D Que so fechadas as vogais tonas que antecederem as consoantes 
nasais /m/, /n/ e hih/ (ametista, banheira, semana, penhor, domstico, 
unidade, etc.). 
g) Que, mesmo nas classes cultas, ocorre, em muitos vocbulos, certa oscilao entre // e /1, // e /1/, // e /u/, // e // pretnicos; 
assim, so igualmente vlidas ambas as pronncias: 
[pedir] e [pidir], [estudo] e [istudo], [feliz] e [fihiz]; [sentir] e [sintirJ, [mentira] e [minara], [enguio] e [inguioJ; [cortina] e [curtina], [gordura] e [gurduraj, 
[coser] e [cuser]; [compadre] e [cumpadre]. 
DITONGOS 
TNICOS 
1) So onze os ditongos orais decrescentes: 
/4W - mais, pais, festivais; 
/u/ - degrau, pau, fauno; 
/i/ - ris, papis, idia; 
/i/ - dei, beijo, jeito; 
/u/ - ru, chapu, mausolu; 
/u/ - breu, ateus, teraputica; 
/iu/ - fugiu, retorquiu; 
/61/ - ri, geide, destri; 
/i/ - boi, foice, dezoito; 
/ou/ - sou, estouro, besouro; 
/i/ - fui, azuis, retribuis. 
39 
2) So cinco os ditongos nasais decrescentes: 
Formas Formas 
fonticas grficas Exemplos TONIC 
/i/ i, e cibra, me, capeles 
Mui o carvo Sao 
/i/ em, eis (s) alm, armazns 1 
/i! e pe, dispes 
/i/ ui mui, muito 
/t 
TONOS /i 
So dez os ditongos orais decrescentes pretnicos e dois os postnicos: 2) 
1) Pretnicos: 
/i/ - haixela u - eufonia 
Mui - paulada i - anzoizinhos 
/i/ aneizinhos i - anoitecer 
/i/ - empreitada ou - roubar ATON 
lu! - chapeuzinho ui - cuidado - 
Sao 
2) Postnicos: 1 p 
!i! - amveis, teis 
!i! - lcoois 
So cinco os ditongos nasais decrescentes pretnicos e dois os pos- / 
tnicos: 2) F 
1) Pretnicos: t 
Formas fonticas Formas grficas Exemplos t 
Mi! e mezinha 
!u! o irmozinho 
!i/ eis vintenzinho 
!i/ e tostezinhos 
1(11! ui muitssimo 
2) Postnicos: 
Formas Formas 
fonticas grficas Exemplos dito 
/u! o!am rgo, amavam 
!i/ em, eis (s) bagagem, sofrem, viagens 
40 
TRITONGOS 
TNICOS 
So seis - quatro orais e dois nasais: 
1) Orais: 
/ui/ Uruguai 
/ui/ - averigeis 
/uou/ - enxaguou 
/uiu/ - delinqiu 
2) Nasais: 
/uu/ - quo 
/ui/ - sagues 
TONOS 
So cinco - trs pretnicos e dois postnicos: 
1) Pretnicos: 
/ui/ - guaiar 
/uu/ - saguozinho 
/ui/ - saguezinhos 
2) Postnicos: 
/uau/ - mnguam 
/uei/ - desgem 
ENCONTROS DE DITONGO TNICO 
DECRESCENTE E VOGAL 
Desenvolve-se sistematicamente uma semivogal nos encontros de 
ditongo tnico decrescente e vogal: 
praia [pri-ial, cheia [chi-iaj, apoio [api-ioj. 
41 
CONSOANTES 
So dezenove as consoantes da lngua portuguesa: 
/h/ oclusiva hilabial sonora: boi, aba, ambos, brio, abdicar. 
Id/ oclusiva linguodental sonora: dar, medo, andar, drago. 
If/ fricativa labiodental surda: Jdo, afiar, Africa, amorfo. 
IjI fricativa palatal sonora: jarro, jeito, gelo, agente, mesmo, os hbedos. 
/1/ lateral alveolar sonora: lar, plido, galo, celeiro. /m/ oclusiva bilabial sonora nasal: mar, amigo, lama. ml oclusiva linguodental sonora nasal: neve, aniquilar, 
pano. /p/ oclusiva bilabial surda: polo, aparecer, campo, apraz, inepto. 1k! oclusiva velar surda: cara, cola, culpa, querida, quilo, aquele. Ir! vibrante alveolar 
sonora (fraca): pureza, cam, falar alto. /rr/ vibrante velar sonora (forte): carro, carne, rosto, falar. Is! fricativa alveolar surda: sei, celeste, pao, massa, 
prximo. /t/ oclusiva linguodental surda: tua, ator, pranto, atleta, ritmo. /v! fricativa lahiodental sonora: vida, luva, livreiro. 
/x/ fricativa palatal surda: xavante, chuva, fechar, peixe, este, os perigos. 
!z/ fricativa alveolar sonora: zagal, prazer, asa, exato. 
/g/ oclusiva velar sonora: gazela, gota, gume, guarda, tango, agradar. 
/1h! lateral palatal sonora: lhano, falha, filho. 
Inh! oclusiva palatal sonora nasal: vinho, sonhar, banheiro. 
Observaes: 
a) No portugus do Rio de Janeiro e de extensas zonas do pas, a consoante IdI, quando seguida de /i/, apresenta uma pronncia palatalizada, passando a /dj/ (dia). 
b) No portugus do Rio de Janeiro e de extensas zonas do pas, a consoante /t/, quando seguida, de /i/, apresenta uma pronncia palatalizada, passando a Itchl (tio). 
c) No portugus do Rio de Janeiro e de extensas zonas do pas, a consoante /1/, quando fmal de sflaba, apresenta uma pronncia relaxada, que a aproxima do som 
do /w/. E o /1/ VELAR, to caracteristicamente carioca (sal, alto). 
d) No portugus do Rio de Janeiro e de extensas zonas do pas, a consoante /rr/ pode adquirir uma articulao mais recuada, pronunciando-se como uma consoante 
dorsovelar mltipla. E o Ir! UVULAR, decorrente de afetao viciosa. 
42 
